“Não é o que você diz da boca para fora que determina a sua vida, é o que você sussurra para si que tem o maior poder!” (Robert Kiyosaki)

Olá amigos!

Nunca esqueço um professor de psicanálise que dizia na faculdade: “não dá para tirar férias de si mesmo”. Esta frase é fantástica porque nos faz refletir sobre muitas e muitas questões. Não significa só que uma pessoa estressada que sai de férias vai continuar, muito provavelmente, estressada. Também nos faz lembrar que aonde uma pessoa for, ela estará… o que é óbvio…mas significa que você pode mudar de país, ou de emprego ou de namorado, os seus pensamentos, crenças, emoções, ideias continuarão – a não ser que você mude.

Por isso é tão frequente vermos que mudar de emprego ou de negócio, mudar de cidade, terminar um relacionamento e começar outro não faz tanta diferença no estado de felicidade de alguém no longo prazo.

Certa vez li que se um sujeito ganha na loteria ou se perde uma perna em uma acidente, ele terá seis meses eufóricos (se for a loteria) ou seis meses terríveis (se for o acidente). Porém, a tendência é que depois de seis meses o nível emocional volte a ser como antes.

No texto de hoje, gostaria de comentar com vocês um aspecto específico desse convívio de nós conosco mesmos, este fato curioso de que não podemos sair de quem somos… que é o constante e quase ininterrupto diálogo interno.

O diálogo interno incessante

É muito comum confundir o pensamento com a essência. Ou seja, a forma como uma pessoa pensa, lentamente e progressivamente, vai construindo o modo como ela se vê, se percebe, se ouve.

Por exemplo, imagine alguém que pensa que o Brasil é um país de terceiro mundo, atrasado, retrógrado. Vivendo no Brasil, todo o meio ambiente no qual se vive será sentido igualmente como um atraso de vida. Este é um pensamento que se dirige ao que está fora (o Brasil, o estado, a cidade) e é interessante observar como um pensamento vai determinar o tipo de emoção e sentimento.

Mas mais impactante ainda é o modo como a pessoa se vê. E este modo de auto-percepção também é representado na forma como esta pessoa se trata, se ela se mal-trata ou se se trata bem. E um dos jeitos pelos quais podemos perceber esta maneira é a partir do diálogo interno, uma conversa que normalmente não para. Evidente que não poderemos ouvir este diálogo a não ser que a pessoa em questão diga o que está pensando.

Com os conhecimentos da psicologia, da psicanálise e da PNL encontramos certos padrões. E, de uma maneira geral, dividimos em atitudes negativas e positivas.

O que você tem dito para si mesmo(a)?

Você tem um diálogo interno agradável ou desagradável? O que você escuta? Como é a voz “em sua cabeça”?

(É engraçado como ouvir uma voz dentro de si mesmo é considerado normal, desde que se reconheça que é um pensamento, e ouvir uma voz externa, projeção do pensamento, é descrito como um surto psicótico, uma alucinação).

Por exemplo, ao começar a aprender uma coisa nova… o que você escuta? É algo como “vai, você consegue” ou “não adianta tentar, sou muito burro(a), não vou conseguir?”

Análise da voz interna

E é possível aprofundar na análise:

– A voz é baixa ou é alta?

– É grave ou é aguda?

– É parecida com o jeito como você fala? Ou é parecida com a voz de uma outra pessoa?

– A voz é crítica? Ou é motivadora?

– A voz te faz sentir bem? Ou te põe pra baixo?

– A voz, que é o seu pensamento interno, é como uma outra pessoa ou é você mesmo? Quer dizer, parece a voz da sua consciência, ou ser superior – ou nome que quiser dar – ou é você? Em outras palavras, ao lidar com a voz interna, parece um diálogo com uma parte de ti ou parece mais um monólogo?

Diálogo: “Hoje eu vou almoçar mais cedo?” (voz que surge) – “Mas porque você vai almoçar mais cedo?”

Monólogo: “Hoje eu vou pegar a minha filha no colégio. A gente vai sair da escola e ir para o banco rapidinho e depois a gente vai voltar para casa (voz que surge) ou é melhor eu deixar para ir no banco amanhã?”

Abstract speaker silhouette with letters on a white background

Conclusão

Se formos analisar com calma tudo o que se relaciona com esta voz interna, com este diálogo interno, e levando em conta que não conseguimos sair de nós mesmos nem mesmo por algumas horas, veremos que a frase de Robert Kiyosaki é corretíssima:

“Não é o que você diz da boca para fora que determina a sua vida, é o que você sussurra para si que tem o maior poder!”

E poderíamos acrescentar: também não é o que você escuta das outras pessoas ou o que você lê que determina a sua vida. Afinal, você pode escutar uma mensagem muito importante de uma pessoa mais sábia e simplesmente não dar a menor importância. E deixar para lá. Contudo, se você absorver a mensagem e incluí-la como uma parte do seu pensamento, a mensagem continuará viva e permanecerá te influenciando (para melhor, espera-se).

O que Kiyosaki diz faz sentido porque você pode dizer em alto e bom tom:

“Hoje vou começar o meu regime”.

E, internamente, no famoso diálogo interno, a voz que surge diz: “talvez amanhã. Hoje não”. Há uma anulação do que foi afirmado em voz alta, portanto.

Se pararmos para pensarmos, veremos que uma boa parte da psicoterapia consiste em colocar para fora estes pensamentos, estas diálogos e monólogos que estão dentro da gente, para que possamos observá-los e modificá-los, em vez de confundir o próprio pensamento com quem se é.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado em 2006, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness pela Unifesp. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online, Terapia Cognitivo Comportamental, Problemas de Relacionamentos, Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! - no TikTok -, e Instagram! Email - psicologiamsn@gmail.com - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913