Lições válidas para o TCC, mestrado e doutorado – e para a vida.
Olá amigos!
Escrever a minha tese de doutorado foi a coisa mais difícil que já fiz. E não estou exagerando. É um trabalho de pesquisa longo e aprofundado e, por mais que amemos o tema, em muitos momentos é bastante estressante e cansativo. Com este texto, gostaria de compartilhar o que aprendi ao longo destes 4 anos escrevendo e pesquisando o Livro Vermelho de Jung. O texto não será sobre o conteúdo do meu trabalho, e sim sobre os bastidores do processo.
Você pode ler minha tese aqui – O Livro Vermelho de Jung
1) Um objetivo definido
Antes de entrar no mestrado ou no doutorado, temos que apresentar um projeto de pesquisa, com tudo detalhado: objetivo geral, específico, metodologia, cronograma, etc. E depois na qualificação – a avaliação no meio do caminho – temos que mostrar o que já fizemos e o cronograma até o final.
Um mal de boa parte dos pesquisadores é criar objetivos excessivos por medo de que no final não terá muito material para trabalhar. Isso aconteceu comigo no mestrado e estava quase acontecendo de novo no doutorado.
Para fazer uma boa tese ou dissertação precisamos ter um objetivo bem definido. O objetivo pode até ser muito grande, mas esta grandeza tem que caber dentro do tempo.
Na vida, o ideal é ter grandes sonhos, pois são os grandes sonhos que nos movem para realizar grandes feitos. A diferença é que na vida não sabemos o tempo que temos e em uma pós-graduação stricto sensu temos um limite máximo.
Por isso, ter um objetivo bem definido nos ajuda a não desviar da rota. Não sei muito bem sobre pesquisas em exatas, mas em humanas a tendência a que isso aconteça é muito grande porque um livro puxa outro livro e de repente estamos estudando os filósofos gregos de novo.
Lição 1: escreva (aonde for) o seu objetivo bem claro e definido e deixe em um local visível
Veja – Um objetivo claro em mente – como sobreviver ao TCC
2) Mantenha o foco
Manter o foco é uma derivação necessária de ter um objetivo definido. Sem um objetivo definido não temos foco e, portanto, apenas com a clareza da onde queremos chegar é que podemos criar o passo-a-passo e concluir. A palavra foco é bastante presente no universo da fotografia e com esta metáfora podemos entender melhor.
Digamos que você tenha uma câmera super profissional que destaca os objetos focando o que você quer focar e tirando de foco o fundo ou o acessório. Para tirar uma boa foto você terá que escolher o objeto a ser destacado e esquecer de todo o resto.
Quer dizer, ter foco é saber escolher o que se quer e manter a atenção naquele ponto. Se eu estou estudando Jung é até interessante saber sobre Platão e Hegel ou Freud, mas eu estou estudando Jung, então: foco. Se eu estou estudando um tema na obra de Jung, eu estou estudando este tema e não outro. Portanto, foco no tema. Se eu estou escrevendo o terceiro capítulo e não o segundo, foco no terceiro capítulo. E assim vai…
Na vida também é importantíssimo ter foco. Alguns experts, inclusive, recomendam que trabalhemos apenas um único objetivo por vez: Conheça a regra da única coisa
Lição 2: atenha-se ao que você precisa se ater.
3) Disciplina e constância
E, por sua vez, ter foco faz com que vejamos de perto o próximo passo e o seguinte. E esta é uma boa definição para disciplina: fazer o que tem que ser feito hoje e deixar o que tem que ser feito amanhã para amanhã. Se amanhã você fizer o que tiver que ser feito amanhã e depois de amanhã o que tiver que ser feito depois de amanhã, você estará sendo disciplinado e constante.
Como se diz, uma longa caminhada começa com um único passo e um passo depois e depois e depois… (e depois de um tempo) chegamos aonde queríamos chegar.
É bonita a frase “disciplina é liberdade”. Gosto dela. Se você aprende a ter disciplina, terá liberdade para fazer o que tem que fazer e para fazer outras coisas também, pois terá tempo após ter concluído o seu dever.
Quando temos um projeto que nos parece enorme pela frente, temos que ir por partes. O que fizermos hoje será um trabalho que não precisaremos fazer amanhã. Portanto, não adianta desanimar com o tamanho do que falta. É melhor olhar para o que conseguimos fazer agora.
Lição 3: Reserve espaços de tempo e tempos de espaço para fazer o que tem que fazer. Ou seja, crie e mantenha a disciplina de fazer uma parte por vez, constantemente e logo você conseguirá concluir.
Leia também – Você é o que você faz com frequência – O Poder do Hábito
4) Crítica e compaixão
Talvez um dos aspectos mais difíceis de escrever um TCC, dissertação ou tese consista na lembrança de que seremos avaliado por uma banca. Então, existe a tendência de antecipar as críticas e durante o percurso ficar se criticando porque poderia estar melhor ou se comparando com um colega.
Ao longo desse tempo de trabalho, é interessante notar como lidamos com os problemas e dificuldades. A crítica suposta na banca pode ter se transformado em uma crítica interna, branda ou brava, terrível ou engraçada. Ou dar lugar à autoconfiança de confiar em seu próprio trabalho e talento. Enfim, cada pessoa vai reagir de um jeito.
Mas, independente da reação pessoal, descobri que é sempre útil – para todos – investir na autocompaixão e deixar de lado a crítica. Autocompaixão significa ter compaixão consigo mesmo. A grosso modo, mudamos de uma fala interna ácida para um diálogo que envolve amor, consideração e elogio.
Saiba mais aqui – Autocompaixão: como você trata a si mesmo? 3 dicas úteis
Lição 4: procure cuidar de você mesmo e veja o copo meio cheio. Ao invés de se criticar, veja o que já está bem feito. A crítica é útil para aperfeiçoar, mas quando fica na crítica pela crítica, ela vai te fazer paralisar.
Este princípio, evidentemente, também é válido para a vida além dos muros das universidades. Aprecio muito quando profissionais reconhecidos e bem sucedidos como Silvio Santos procuram mostrar isso para quem está começando. Eles dizem: pare com isso de se autocriticar!
5) Obter ajuda
Ninguém é uma ilha. Quando temos um projeto que vai consumir tempo e esforço, frequentemente vamos precisar de ajuda. Pode ser a ajuda dos amigos que estão próximos, da família ou de um profissional qualificado como um psicólogo ou Coach.
Mas é preciso ter humildade para reconhecer a necessidade de pedir ajuda para continuar, para dar mais motivação ou orientar mesmo no que porventura esteja equivocado.
Ao longo do meu doutorado, eu contei com a ajuda da minha psicóloga e da minha Coach. Elas me fizeram ver aspectos que eu não tinha observado e que estavam me travando. E, é claro, contei com a ajuda do meu orientador, enquanto elas me ajudaram na parte emocional, ele me ajudou na parte mental. Enfim, reconhecer a necessidade de ajuda o quanto antes é conseguir ajuda o quanto antes!
Lição 5: não tenha medo ou vergonha de solicitar ajuda de quem pode te ajudar. A ajuda pode ser informal como de amigos e família ou formal. Mas é importantíssimo para seguir em frente
Conclusão
Bem, estas foram as principais lições que aprendi, resumidamente, ao longo destes 4 anos de doutorado. Para lições mais detalhadas e aprofundadas, recomendo o nosso curso:
Tese – O Livro Vermelho de Jung
Dúvidas, sugestões, comentários, por favor, escreva abaixo!
Felipe, pelo texto eu dou nota 10. Para o trecho abaixo eu dou nota 100! Parabéns pela conquista do seu Doutorado.
[…] “Mas, independente da reação pessoal, descobri que é sempre útil – para todos – investir na autocompaixão e deixar de lado a crítica. Autocompaixão significa ter compaixão consigo mesmo. A grosso modo, mudamos de uma fala interna ácida para um diálogo que envolve amor, consideração e elogio”. Abs,
Obrigado Raquel!
Engraçado que seus textos sempre nos levam a outros focos “veja aqui a materia…”, “Leia também..”, “Saiba mais aqui”. Hahah
Parabéns Professor, ótimo contar sempre com suas leituras diárias.
Abç
Oi Samuel!
Então, acabou que criamos um acervo incrível de textos. Eu mesmo não acredito que já passamos dos 1.000 textos!
É bem legal porque acaba que um completa o outro.
Atenciosamente,
Felipe de Souza
Felipe, alguém formado em psicologia pode fazer mestrado e doutorado em comunicação social?
Olá Igor!
Sim, é possível. Depende do programa de pós-graduação, mas muitos são bem abertos para inscrição de alunos oriundos de outros cursos.
A questão é que, dependendo depois do objetivo profissional, não ter tido a graduação pode ser um complicador, ok?
Atenciosamente,
Felipe de Souza