Entenda a necessidade de passar a se responsabilizar pelos próprios sentimentos e deixar a posição de vítima das circunstâncias.
Olá amigos!
Em minha opinião, a psicologia deveria estar nas escolas. Em todas as escolas. Não como um suporte extra com o qual os alunos pudessem contar, mas em aulas frequentes. E nesse sentido não digo de estudar a fundo os autores, mas sim de possibilitar que o conhecimento mais prático da psicologia pudesse se tornar acessível e utilizado.
Na nossa cultura ocidental extrovertida, o bem e o mal vem de fora. A salvação vem de fora assim como de fora vem o problema. Por exemplo, é fácil culpar o governo por problemas econômicos enquanto o próprio sujeito não faz nada para se aperfeiçoar ou não sai de casa para procurar emprego.
No texto de hoje, gostaria de mostrar como um conhecimento simples da psicologia pode nos ajudar a ter e a manter mais felicidade e sentimentos positivos.
Você me magoou ou eu me deixei magoar?
Bernard Shaw, um fantástico escritor, disse certa vez: “As pessoas sempre culpam as circunstância por aquilo que são. Eu não acredito em circunstâncias. Quem se sai bem neste mundo são as pessoas que saem à procura das circunstâncias e, se não as encontram, criam-nas”.
Aqui poderíamos trocar a palavra circunstância por Fulano ou Ciclano, marido ou esposa, mãe ou pai, amigo ou conhecido. Teríamos então:
“As pessoas sempre culpam ELE/ELA por aquilo que são. Eu não acredito NISSO. Quem se sai bem neste mundo não são as pessoas que saem à procura DE PESSOAS PARA CULPAR e sim as pessoas que se responsabilizam pelos próprios pensamentos, sentimentos e comportamentos”.
Como também dizia uma grande pensadora, defensora dos direitos humanos e esposa do estadista Roosevelt, Eleanor Roosevelt:
“Ninguém pode fazer com que você se sinta inferior sem o seu consentimento”.
Por exemplo, se alguém vira para você e diz:
– “Como você é burro(a)”
– “Como você é estúpido(a)”
– “Como você está feio(a)”
etc…
Nós temos duas coisas: o comportamento da outra pessoa que disse algo e a resposta mental, emocional e comportamental de quem recebeu a mensagem. São duas coisas distintas.
Se alguém me diz – “Como você está feio(a)” eu posso:
– Concordar e aceitar e passar a me sentir feio(a);
– Discordar e não aceitar e continuar me sentido bem com minha aparência.
Por isso, só com o nosso próprio consentimento que podemos deixar a outra pessoa nos fazer mal. Porém, o que aprendemos no dia a dia é que a causa de nos sentirmos mal é o outro ou outra.
Por exemplo:
“Ele/ela me fez isso, por isso, estou mal”
“Ele/ela me falou isso, por isso, estou triste / estou com raiva / estou péssimo(a)…”
O que é péssimo, na verdade, é deixar que as outras pessoas influenciem tanto o nosso estado. Existe um espaço de escolha entre ouvir alguma coisa, entender o que se ouviu e acreditar ou não na informação passada. Se alguém vira para mim e me diz:
“Com você é ridículo, você tem 5 metros de altura” eu vou rir porque é uma mentira, certo?
Do mesmo modo, quando alguém nos ofende não temos que concordar com a sua opinião, nem mesmo adotá-la e fazer dela um mantra, uma repetição constante em nossa mente.
A questão então é: como mudar?
Em primeiro lugar, é fundamental reconhecer o processo. Atribuir culpa a alguém – por ter ficado com raiva, triste, com medo, sem chão, etc – é dar o poder de escolha para uma outra pessoa. Além disso, é um jeito de não se responsabilizar pela própria vida.
De modo que temos que entender o processo. Se estamos bem conosco mesmos, se estamos desenvolvendo a nossa auto estima de forma satisfatória, o que uma outra pessoa disser será tão somente a opinião de uma outra pessoa e nada mais.
Em segundo lugar, é preciso começar a observar como este processo de dizer “você me magooou” é extremamente rápido. Em questão de 10 segundos, podemos passar de uma circunstância externa desfavorável para um estado psíquico muito negativo.
Portanto, devemos passar a observar o que acontece entre:
1) uma circunstância externa desfavorável (alguém dizer ou fazer algo “contra”);
2) o pensamento de concordar ou discordar com o que foi ouvido ou aceito;
3) o sentimento negativo que surge a partir do pensamento
Muitas pessoas dizem que perceber isso é muito complicado. Alguns não conseguem perceber de fato que é isso o que ocorre dentro do seu psiquismo e apenas pensam em um arco reflexo:
– Algo ruim aconteceu fora = eu me sentir mal
Se é difícil para ti perceber como se dá este processo, pode ser útil fazer terapia com um profissional da psicologia.
E em terceiro lugar, é muito importante passar a se responsabilizar pelas suas escolhas. Evidente que muitas coisas não são escolhas nossas. Hoje, por exemplo, está chovendo aqui e eu até gostaria que não estivesse chovendo, já que vou caminhar. Entretanto, chover ou não chover não é da minha escolha.
Agora, por exemplo, nós temos escolha se vamos conviver com pessoas que são positivas e motivadoras ou se vamos conviver com pessoas que são negativas, pessimistas e críticas.
No fundo, no fundo, nós estamos aonde estamos devido a escolhas passadas. O futuro pode ser muito diferente. e poderá ser muito melhor, desde que passemos a perceber que nós temos a responsabilidade de viver a nossa própria vida e parar de culpar as outras pessoas pelo que sentimos.
Conclusão
No começo eu disse que a psicologia deveria ser ensinada nas escolas. Não vejo este cenário acontecer no futuro próximo. O que podemos fazer para sanar esta falta é passar a estudar mais os conhecimentos da psicologia que são úteis no dia a dia (o que chamamos aqui no site de “dicas práticas”) e fazer terapia. Se você é pai ou mãe ou se em seu trabalho você lida diretamente com o ensino de outras pessoas, pequenas dicas como estas de hoje podem ajudar a transformar uma vida. Faça bom uso da psicologia! :)
Obrigada professor Felipe
Sou dona de casa e gosto muito de suas dicas que muito têm me ajudado. Aprendi neste texto que sou responsável pelas minhas atitudes e não posso culpar os outros pelos meus fracassos. Valeu demais!
Tema atual, muito bom! Já estou repassando. Abs,
Otimo texto! Obrigada!
Olá professor Felipe
Este tema de hoje foi muito útil pra mim, me fez muito bem, algo que vou levar p meu cotidiano .. obrigada
Vale neste texto a reflexão de Sartre, “A questão não é o que fazem conosco, mas sim o que fazemos com o que fazem conosco.” Nossa atitude frente às decepções mudam nosso rumo perante à vida. Obrigada pelo post.
ola gostaria de saber um pouco mais sobre o certificado por exemplo ele funciona só como uma aula extra ou ele funciona para colocar no currículo?…
obrigado
Felipe, cada dia eu fico mais apaixonada pelo seu projeto de escrever para as pessoas gratuitamente, sou professora e concordo com você que deveríamos
de fato viver a psicologia nas escolas, parabéns pelo texto.
Boa tarde, Felipe.
Hoje passei o dia inteiro com essa dúvida na cabeça e agora me deparo com seu texto, muito bom, por sinal. A pergunta: como posso saber o que é um motivo real e o que é apenas uma desculpa para ficar na posição de vítima? Por exemplo, algo que me incomoda muito é a aparência. Não sei se não ter uma boa aparência é uma desculpa para não ser sociável, ter muitos amigos ou estou com a razão, já que pessoas bonitas, em geral, “atraem” outras pessoas, quase como um imã, e eu me vejo como uma pessoa feia, desajeitada, inadequada para os padrões. Deu pra entender? Neste caso, por exemplo, não foi escolha minha ser assim.
Olá Janesmeire!
Você pode colocar os cursos como cursos complementares ou extracurriculares ao final do seu currículo.
Olá Mauricio,
Não podemos controlar tudo o que diz respeito à nossa aparência (embora possamos nos cuidar e melhorar também). Mas acho que existe um equívoco ao associar beleza com atratividade social.
Pense, por exemplo, em apresentadores de TV como Silvio Santos, Faustão, Ana Maria Braga, Serginho Groisman. Não são pessoas consideradas universalmente belas, certo? E conseguem captar a atenção de milhões de pessoas…
Além disso, cada pessoa vai ser atraída (no caso do amor) por uma característica. E as vezes é o que não gostamos tanto em nós que chama a atenção.
Atenciosamente
Felipe de Souza
Obrigado por responder Prof Felipe!!
Dr. Felipe, parabéns, adoro seus textos….ficar longe de quem é pessimista, negativas e críticas … eu consegui.. eu avancei muito sei o quanto fazem mal.
Abraços
Rio,19/03/2015 – 09:39 hs
Prof. Felipe, que alegria já pela manhã receber esta matéria e ler detalhadamente. Tenho 3 filhos; um de 31, 28, 25. E foi o meu filho de 31 que me mandou sua matéria. Provavelmente pq sabe os dramas que vivo e que após esta leitura, dramas muitas das vezes criados por mim.
O que mais tem me incomodado e me dificulta a entender é o drama da minha filha com 26 anos. Nunca nos demos bem Pq ela é muito possessiva e se acha a certa em tudo, nunca respeitando minha idade, experiência de vida e experiência profissional ( sou Terapeuta Ocupacional). Mas a última dela está sendo terrível pra mim. Pois desde outubro/14 que ela não fala mais comigo. Me anulou literalmente. Ela mora com o pai (ex marido), e antes disso tudo acontecer ( por causa de DINHEIRO), ouvi coisas de minha filha que não desejo que mãe alguma escute um dia. Foi horrível! Ameaças!! Etc. ….. e eu absorvi tudo. Me senti (acho q me sinto ainda), tudo que ela falou e fiquei com medo do futuro, da minha velhice, pois ela conseguiu chegar até lá e me ameaçar.
Graças a Deus esse meu filho mais velho de 31, que me apresentou vc, tem estado bem presente comigo.
Graças a Deus e a minha fé também
E agora, graças a você com esta matéria sensacional. Veio a calhar certinho, eu me deixei ser tudo o que ela falou pra mim e deve ainda falar por aí.
Agora o que eu preciso é aos poucos aprender a esquecer essa mágoa e me conscientizar que não sou nada daquilo q ela falou e tão pouco vou terminar meus dias na terra ( falta tanto ainda), do jeito que ELA QUER QUE EU TERMINE.
Muito obrigada Prof. Felipe.
Se puder deixar algumas palavras ficarei muito agradecida.
Abraço
Olá Baroninha!
Com a psicologia eu aprendi que devemos perdoar. Não porque somos bons e “superiores” mas simplesmente porque não perdoar é muito prejudicial à saúde.
Veja aqui – Técnica para Perdoar
E uma outra dica bem útil é entender o que nós podemos e não podemos controlar:
O que você pode e o que você não pode controlar
Atenciosamente,
Felipe de Souza
Olá prof. Felipe, espero que esteja tudo bem. Amo as suas matérias, leio-as, mas é difícil colocar tudo em prática. Estou há alguns anos passando por momentos muito difíceis em minha vida, inclusive lhe mandei um e-mail, mas não obtive resposta, então deduzi que não há nada que você possa fazer por mim, mas tudo bem, eu entendo. Quero então através desse artigo que você escreveu aproveitar para lhe pedir que comente o que está acontecendo comigo. Devido as dificuldades pelas quais estou passando algumas pessoas se afastaram de mim, outras não sabendo se colocar em meu lugar já me disseram coisas horríveis as quais eu acabo engolindo tudo, remoendo e aumentando mais a minha depressão. Há pessoas as quais eu pensei em me afastar, mas se eu o fizer quem ficará na minha vida? Acabarei os meus dias sozinha. Como reagir ou fazer em tal situação? Uma pessoa chegou a me dizer por duas vezes que a vida é dura para quem é mole, mas essa pessoa nunca passou por problemas de saúde e graças a Deus nem á sua família, como ela pode saber da minha dor para então me julgar? É difícil pra mim porque eu absolvo tudo. Aguardo uma resposta tua, obrigada.
Olá Eliana,
Nós podemos dividir as nossas necessidades em áreas:
1) necessidades básicas – alimentação, sono, abrigo, saúde
2) necessidades emocionais – relações positivas, carinho, amor, etc
3) necessidades de realização – trabalho, estudo
4) necessidades de autorrealização – espiritualidade, autoconhecimento…
Para cada necessidade teremos que cuidar de uma determinada maneira. Por exemplo, se temos um problema de saúde, procuramos um médico. Se temos um problema emocional, procuramos a ajuda de um profissional da psicologia e assim por diante.
O jeito é parar de se comparar com os outros, em primeiro lugar. Cada um tem a sua história. E também deixar de lado as opiniões alheias que não são construtivas.
Atenciosamente,
Felipe de Souza
Obrigada prof. Felipe, eu estou indo aos médicos e por sinal já faz anos e até agora nada, mas pretendo mudar de profissional e iniciei análise o que espero que me ajude emocionalmente. Porém gostaria que você comentasse sobre o se afastar de pessoas e terminar sozinha, obrigada, Eliana.