Descubra a relação entre o que você ama, o que o mundo precisa, o que você é pago para fazer e o que você é bom.
Olá amigos!
Ontem eu publiquei um texto respondendo à pergunta se dá para ficar rico fazendo a faculdade de psicologia. Toda vez que toco no assunto da remuneração (na psicologia e em outras áreas), acabamos esbarrando em um tema delicado. Psicologicamente falando, tocamos no complexo de dinheiro de cada um.
Como sabemos, cada pessoa tem um complexo relacionado ao dinheiro. Complexo, segundo Jung, significa uma palavra (ou um campo semântico) que está ligado a um afeto forte. Por exemplo, a palavra Palmeiras pode ser indiferente para você. Mas para um palmeirense, ou para um são paulino, esta palavra simples vai ativar um complexo, ligado às disputas de futebol.
Em suas pesquisas experimentais, Jung observou que existe a possibilidade de termos os complexos mais diversos. Mas dois são especialmente fortes – isso foi publicado antes de ele encontrar-se com Freud:
– complexo sexual-amoroso: desejo, apaixonar-se, saudades, frustrações…
– complexo de poder: superioridade ou inferioridade, dinheiro, posses…
Então, o texto de ontem toca este aspecto do poder nas pessoas, porque quem está fazendo psicologia ou já se formou necessariamente vai considerar as suas expectativas e a realidade. Por detrás de cada resposta, também notamos o background cultural e a relação direta com o que é possível e o que é impossível realizar.
De certa forma, o texto de hoje continua a questão. Mas expande para outras áreas. Qual a diferença entre ter uma profissão, ter uma vocação, ter uma missão e ter um paixão profissional?
Diferença entre profissão, vocação, missão e paixão
Este texto não é baseado propriamente em um conceito da psicologia, ok? Encontrei a imagem abaixo nas redes sociais e imagino que ela seja bem sintética sobre tais diferenças. E nos ajuda a clarear os anseios profissionais, com a realidade do mercado e do dinheiro. É útil para pensar o que obtemos e o que desejamos obter, com a vantagem de ir além da questão:
– Ganhar dinheiro ou fazer o que se gosta
– Ter um trabalho e ter um hobby
Você é muito bom e você é pago – Profissão
Comecemos pelo lado profissional da vida. Ao escolhermos uma profissão temos que levar em conta 2 aspectos básicos:
– Você vai querer acordar cedo nos dias úteis e trabalhar naquela área;
– Você tem talento ou aptidão ou competência para trabalhar nesta área. Além disso, você sente bem no trabalho. O trabalho te realiza.
Quando estamos para escolher uma faculdade ou carreira, nós podemos ter muitas dúvidas sobre as profissões. Afinal, são muitas as opções. Também podemos ser muito indecisos sobre se somos bons em uma área ou não.
Uma técnica muito simples que ajuda-nos a pensar e projetar o futuro é esta – Técnica para decidir
Com ela, conseguimos trazer “o futuro” para o presente e avaliar cada uma das opções que estamos considerando e checar se vamos gostar de ter uma rotina de trabalho naquele tipo de atividade ou não .
Você é pago e o mundo precisa – Vocação
De certa forma, a diferença entre profissão e vocação é tênue. Isto porque o mundo precisa de todas profissões. Para quem não sabe, há não muito tempo atrás a área da psicologia que auxiliava os jovens na escolha da carreira intitulava-se “Orientação Vocacional”. Até hoje encontramos muitas referências catalogadas assim.
Pelo que sei, a “Orientação Vocacional” foi substituída pela “Orientação Profissional” (a única mudança foi praticamente a palavra) porque vocação tem uma forte conotação religiosa. Exemplo, os padres que dizem que sentiram um chamado (uma voz) para o sacerdócio. Tendo uma voz, eles tinham uma vocação definida.
Em minha opinião, não precisamos de todo excluir esta perspectiva de ter um chamado para uma atividade laborativa. Quando sentimos que temos uma vocação para isto ou para aquilo, estamos chegando perto de entender mais sobre nós mesmos. Estas e estas características de personalidade são positivas e vão de encontro ao que o mundo precisa.
Você ama e o mundo precisa – Missão
A ideia de uma vocação é bastante próxima da ideia de missão. Mas como uma diferença importante: a missão nesta perspectiva excluiria o foco no fato de ser pago. Podemos trabalhar de graça ou ganhar muito pouco. Mas não importa. Não estamos fazendo pelo dinheiro.
Embora seja um pouco controverso, porque muitas pessoas pensariam que na vocação nós também não teríamos o foco no dinheiro. Entretanto, temos que considerar aquelas pessoas muito especiais que conhecemos que sentimos que nasceram para aquela área. É o profissional de referência, que sentimos que está ali para realizar o seu pleno potencial, o potencial para o qual foi chamado.
E porque não receber por isso? Uma enfermeira maravilhosa e dedicada e que está fazendo o que tem que fazer em sua vida – ser enfermeira – não tem também que as suas necessidades? Portanto, a vocação não exclui as necessidades financeiras.
Quanto à missão, temos uma outra conotação. Me lembrei de uma tradição hindu, na qual depois de uma certa idade (35 – 45 anos), quando os filhos já estão criados (eles tinham filhos muito jovens, a partir dos 15), o pai e a mãe deixam a família e vão buscar a sua missão de vida. Pode ser uma missão espiritual, religiosa, um projeto de caridade ou humanitário.
Em todos estes casos, não há a busca pelo dinheiro. É como no lema do Lions: “dar de si antes de pensar em si”.
Você ama e você é muito bom – Paixão
Por fim, temos a paixão, que não tem esta vertente de altruísmo da missão. No caso da paixão encontramos o nosso hobby. Não precisamos ganhar dinheiro e o mundo não precisa. Podemos aprender marcenaria e ser um péssimo marceneiro, por isso, não receberemos dinheiro nem estamos pensando em contribuir com o mundo.
É uma diversão, um prazer, uma paixão profissional. Quando falamos em hobby, é fácil pensar em artes: pintar, esculpir, tocar um instrumento. Mas não precisa ser só artes. Se você gosta de matemática ou de caça-palavras, de jogar vôlei ou ajudar animais…enfim, pense no que você ama, gosta muito de fazer e, ainda por cima, é bom ou tem vontade de ser bom um dia.
Conclusão
Às vezes, o fato de simplificarmos muito é prejudicial, pois talvez surja a dúvida: mas só isso? O mesmo acontece com a sintetização, ou seja, quando perguntamos como vamos reunir nossa paixão, nossa vocação, nosso hobby em uma única profissão.
Por outro lado, nem sempre é preciso dividir tanto. Talvez a dicotomia uma profissão (que também é vocação) e um hobby (que também é uma missão) seja suficiente para alguns.
Gostaria de encerrar dizendo que, se você tem dúvidas sobre qual faculdade escolher ou se está pensando de mudar de carreira, você pode fazer Orientação Profissional com um profissional da psicologia em sua cidade ou, se preferir, Coaching de Carreira Online, comigo.
Obrigada por VC compartilhar
Sinceramente, entendo que as pessoas não conseguem separar as coisas e talvez seja (também) por isso que a nossa profissão ainda se encontra em estágio tão fragilizado…sem ter um piso mínimo nacional, sem ter uma definição a respeito de carga horária semanal, sem ter uma obrigatoriedade em Instituições onde o psicólogo é imprescindível. Dizer que é uma vocação, que vc faz por amor, que o que vc ganha não importa, que o que importa é ver o crescimento do outro…isso não é em nada valorizar a profissão de Psicólogo! Isto tudo é intrínseco à profissão, mas vamos entender que somos profissionais qualificados, que dispendemos tempo, vida, dinheiro, estudo para ter uma competência no campo da saúde psicológica/mental. Enquanto nós próprios não acreditarmos nisso, seguiremos sendo tratados como aqueles que se contentam com um agradecimento comovido, com o crescimento de um paciente, com um presentinho qualquer…em outras palavras, os que não merecem ser tratados como PROFISSIONAIS.
missão espiritual……oque é? como descobrir? e depois de cumpri-la, morremos?
Olá Luisa,
Cada pessoa encontrará sua missão de uma forma. Alguns tem sonhos e outros tem visões (por exemplo, Saulo que se transformou em Paulo).
Outros acabam descobrindo só no final, quando sentem que fizeram algo importante, às vezes até sem ter deliberado conscientemente.
Por isso, é uma pergunta que depende muito de cada um ok.
Atenciosamente,
Felipe de Souza
Caro Felipe;
Muito legal tua contribuição ao conhecimento, bem escrito e compreensível. Gostaria da literatura de sustentação desse assunto,pois discorde de algumas abordagens mas gostaria de ler um pouco mais para poder dialogar melhor com o assunto.
Atenciosamente:
Rogério Pohl
Olá Rogério,
Na verdade, este texto foi escrito tendo base mais a minha experiência como Orientador Profissional, ok.