Segundo Alfred Adler, “toda a manifestação de vida de um homem é um aspecto de seu padrão uno de desenvolvimento”. Este padrão único baseia-se, por sua vez, na superação do sentimento de inferioridade que todos teríamos na primeira infância
Olá amigos!
Continuando o nosso Curso Gratuito sobre a obra de Alfred Adler, A Ciência da Natureza Humana, vamos falar hoje sobre o capítulo V – O sentimento de inferioridade e a luta pela consideração, de acordo com a perspectiva da Psicologia Individual.
Eu separei alguns trechos mais importantes e um exemplo final através do qual poderemos ver, na prática, as ideias de Adler.
A luta da primeira infância
Como vimos em aulas anteriores, o criador da Psicologia Individual, Alfred Adler, frequentemente volta o seu olhar para a primeira infância e coloca-se na posição da criança. Se fizermos o mesmo exercício, veremos que a criança se vê frente a um mundo “de gigantes”, com necessidades que não pode aplacar. Quando somos crianças, não conseguimos preparar o nosso próprio alimento, não conseguimos acender ou apagar uma luz, enfim, precisamos quase que todo o tempo da ajuda e do auxílio dos mais velhos.
A forma com a qual a criança é criada neste primeiro momento de sua vida terá um grande impacto no modo como o seu ser se constituirá. Em outras palavras, embora todas as crianças no mundo compartilhem deste começo como seres que precisam de ajuda, a educação e o meio influenciará como cada criança vai lidar com a sua inferioridade.
Diz Adler: “Compreende-se, ao notar-se quão fraca e inerme é uma criança, que todo o começo de vida é marcado por um maior ou menor senso de inferioridade. Mais cedo ou mais tarde a criança adquire consciência de sua inaptidão para lutar, sem a ajuda de outrem, com as dificuldades da existência. Este sentimento de inferioridade é a força geradora, o ponto de partida dos impulsos combativos das crianças. Será ele que determinará o modo por que a criança adquirirá paz e segurança na vida, será ele que determinará a própria meta de sua existência e preparará o caminho pelo qual esta meta será atingida” (ADLER, p. 78).
Neste capítulo V, Adler mostra como crianças que tem alguma deficiência podem vir a exacerbar este sentimento de inferioridade e como os adultos ou as outras pessoas circundantes podem vir a ferir e a deixar marcas profundos em situações que seriam consideradas corriqueiras ou sem significado. Outro exemplo reside nas mentiras contadas à criança que poderão fazê-la desconfiar de tudo e de todos.
Regra geral, com exceção das pessoas que conseguem lidar bem com a sua inferioridade inicial, nós encontraremos duas grandes possibilidades futuras que são negativas:
1) a intensificação do sentimento de inferioridade;
2) a tentativa de sobrepujar a inferioridade com o sentimento de ser superior.
Nas palavras de Adler: “A educabilidade pode ser prejudicada por dois fatores. Um deles é o exagero, a intensificação, a persistência do senso de inferioridade, e o outro é a ambição de conseguir não somente segurança, paz e equilíbrio social como também o predomínio sobre o meio e sobre os seus iguais” (ADLER, p. 748).
A compensação do sentimento de inferioridade: a luta pela consideração e superioridade
“É o sentimento de inferioridade, de inaptidão, de insegurança, que determina o alvo da existência de um indivíduo. A tendência de se por em foco, de atrair a atenção dos pais, faz-se sentir desde os primeiros dias de vida. Encontram-se aí os primeiros indícios do despertar desse desejo de consideração, de apreço, a desenvolver-se sob o concomitante fluxo do senso de inferioridade e do propósito dele originado de atingir uma posição em que o indivíduo seja aparentemente superior ao seu ambiente” (ADLER, p. 78).
Nesta frase de Alder, podemos notar como ele vincula a busca de um objetivo na vida (a luta pela consideração) como uma compensação para o sentimento de inferioridade. Ao analisar um caso clínico, o autor vai buscar sempre a causa do sintoma mais na finalidade do comportamento – o que o comportamento visa ou busca – do que na causa infantil, embora a causa infantil (a inferioridade) seja importante para entendermos a história de surgimento da finalidade.
O exemplo mais forte deste capítulo é de uma dona de casa, casada, que reclama de estar fatigada, cansada, sem desejo de viver, apesar de estar sempre imersa em seus afazeres domésticos, sem chance ou tempo de descansar. Apresenta-se agitada, irriquieta e dos que estão ao seu redor, descobre-se que é uma pessoa que leva cada mínimo detalhe a sério e que “faz tempestade em copo d’água”.
Investigando mais a fundo, Adler levanta a hipótese de que o fato de manter-se constantemente atarefada justifica-se para que ninguém solicite nenhuma outra atividade dela, por mais simples que seja. Como está sempre fazendo tudo ao mesmo tempo, ninguém pode pensar mal dela. Afinal, ela está ocupada. O seu expediente da super-ocupação visa, igualmente, buscar a consideração e afeição do marido. A paciente diz:
“Ninguém me pode censurar por este motivo (defeitos como dona de casa), pois de manhã até a noite vivo sobrecarregada de trabalho. Se o almoço não for posto a tempo na mesa, ninguém me poderá dizer nada, porque ando sempre numa roda viva, com mil coisas por fazer. Deveria eu desistir desse meu método?” (ADLER, p. 91).
Apesar de que o seu procedimento lhe trazia vantagens, as desvantagens eram os seus próprios sintomas: em sua tentativa de dominar os outros e conseguir deles a afeição e carinho, ela tinha constantes dores de cabeça por erros insignificantes, insônia ao pensar no que tinha ainda que ser feito, cansaço e afastamento dos outros para não ser criticada.
Desta forma, todos os seus sintomas era frutos de sua luta pela consideração, luta esta que vinha tentar abafar o seu sentimento de inferioridade. Se o marido precisava chegar mais tarde para o trabalho, ela ficava brava e brigava com ele. Com o tempo, ela descobriu que o melhor seria lhe dar uma autorização para ficar até mais tarde, ou seja, inverter as coisas de um modo que lhe parecesse que ela que estava dominando e não de um jeito que ficasse como se ela estivesse sendo dominada.
Na história de vida da paciente, que tinha um irmão e uma irmã mais novos, ela tinha tido que lidar com os ciúmes infantis. Com o nascimento primeiro do seu irmão e depois da sua irmã, ela tinha perdido o posto principal na atenção dos pais, especialmente da mãe. Cedo ela viu que dedicavam mais atenção ao irmão (por ser um garoto) e logo em seguida veio a entender que também dedicam mais consideração à irmã, por ser a caçula.
Assim, toda a sua vida psíquica visava preencher este sentimento de inferioridade (de ser pior do que seus irmãos e de não ser digna da estima materna) com a dominação do seu ambiente. Como ela percebeu que ao não fazer uma tarefa na escola e depois como dona de casa receberia críticas, ela fez o inverso: começou a fazer tudo no máximo e a atentar tanto para os mínimos detalhes que como consequência viu surgir os sintomas dos quais reclamava.
Adler conclui com a análise de um sonho:
“Interpretemos agora um sonho para mostrar quão profundamente este padrão de procedimento se acha fixado em sua alma. Essa senhora sonhou que estava em casa conversando com o marido, mas o marido aparecia-lhe não como homem, mas como mulher. Este pormenor é um símbolo do padrão com que ela coteja todos os seus atos e relações. O sonho significa que, durante o mesmo, conseguiu igualmente com o esposo. O esposo não é mais o macho dominador, como seu irmão o fora, pois que lhe aparece como mulher. Já não há diferença para melhor ou para pior entre eles. Em seu sonho, conseguiu aquilo que desejava desde a meninice” (ADLER, p. 96).
Na próxima Lição do nosso Curso Grátis, trataremos o tema “A preparação para a vida”.
Prof. Felipe, boa tarde! Cada dia que passa tenho mais certeza de que “psicologia” não é para qualquer um. Fico imaginando quantos teóricos vocês psicólogos devem estudar para compreender esse mundo de processos. Provavelmente tudo em nossa vida depende de um contexto – enfim, com esse texto aprendi mais um pouquinho sobre o assunto. Uma boa semana pra você. Abs,
Felipe,
Quero parabeniza-lo pelos textos ótimos.
Você decodifica conceitos de psicologia.
Obrigada, sou apaixonada…
Gostaria de pedir, se possível você escrever sobre dependência ao terapeuta, não poder ficar sem a terapia, não eh transferência.
Obrigada
Abraços
Olá Ana Raquel,
A tendência é a especialização. Eu, que gosto muito de estudar, que acabo tentando estudar tudo, rsrs.
Atenciosamente,
Felipe de Souza
Olá Maria Lúcia,
Obrigado!
Já anotei aqui para um texto logo mais, ok?
Atenciosamente,
Felipe de Souza
parabens pelo texto Felipe muito significativo quero estudar a sequencia desse texto
muito aproveitativo
Olá Raimundo!
Obrigado!
Continuamos logo mais!
Atenciosamente,
Felipe de Souza
Olá Felipe!
O seu texto é esclarecedor e estou apreciando muito a psicologia individual de Adler.
Grata e que você tenha uma ótima semana!
Abraço,
Malu
Muito legal o texto.
Bastante informativo
posso nao ser o unico
a procurar algumas liçoes de como melhorar esses problemas q atrapalham um convivio social.
kkkk
Nao consigo nem me expressar por saber q serei julgado por outros leitores
Olá Malu!
A psicologia do Adler é realmente muito interessante!
Em breve, teremos mais textos!
Atenciosamente,
Felipe de Souza
Olá Gabriel!
Obrigado!
Fico feliz que tenha se expressado!
:)
Atenciosamente,
Felipe de Souza
Ola Felipe, muito bom estes textos.
Olá Simone!
Obrigado!
Atenciosamente,
Felipe de Souza