É possível identificar quando crianças e adolescentes apresentam comportamento patológico?

 Na tentativa de responder a esta pergunta, Dumas (2011) busca estabelecer alguns critérios que compreendem um comportamento patológico ou anormal sempre dando enfoque à perspectiva cultural.

Assim, levando em conta a cultura em que nós estamos imersos, a cultura ocidental, o autor estabelece quatro critérios para que um determinado comportamento, de uma criança ou adolescente, possa ser considerado patológico. Para Dumas (2011) é preciso que pelo menos um dos seguintes critérios seja atendido: 1) excesso ou déficit; 2) infração às normas; 3) atraso ou defasagem desenvolvimental; e 4) entrave ao funcionamento adaptativo.

Resumidamente, no primeiro critério são considerados comportamentos que, ou por demasia ou insuficiência, fogem a um padrão “comum”. No segundo critério, infração às normas, mesmo quando estas crianças e adolescentes já tem conhecimento destas normas, insistindo em violá-las. A partir de uma perspectiva desenvolvimental, quando um comportamento atrasa ou causa algum problema ao desenvolvimento da criança, há o terceiro critério. E, por fim, no quarto critério é levado em conta o funcionamento adaptativo deste comportamento para essa criança ou adolescente.

Apesar de considerar os quatro critérios, é importante destacar que Dumas (2011) admite a dificuldade em fechar um diagnóstico quanto a patologias na infância e na adolescência, uma vez que é difícil determinar o que é um comportamento “normal” e um “anormal”.

Vale destacar, porém, que, antes de um olhar patologizante, é preciso compreender que função tais comportamentos tem para estas crianças ou adolescentes. Pelo que agem desta forma? Tal avaliação é complexa e exige habilidade dos profissionais que trabalham com este público, sejam psicólogos, pedagogos ou educadores no geral.

Finalizando, nunca é demais lembrar que crianças e adolescentes não são adultos. Em uma sociedade pós-moderna em que tudo flui rapidamente, cada vez mais é esperado que crianças e adolescentes ajam como adultos, patologizando-se seus comportamentos quando não atendem a esta demanda. Compreender que estamos sempre em um processo de desenvolvimento singular, sejam enquanto crianças, adolescentes ou adultos, auxilia a encontrar formas de lidar com situações do cotidiano.

Referência

Dumas, J. E. 2011. Psicopatologia da infância e da adolescência. 3ª edição. Porto Alegre. Artmed.