“O segredo do seu futuro está escondido em sua rotina” (Mike Murdock)
Olá amigos!
Frequentemente recebo a pergunta sobre como é a minha rotina como psicólogo. Neste texto, procurarei responder de uma maneira pessoal, mas também tendo em vista não só a minha própria experiência. Afinal, a psicologia tem diversas áreas de atuação.
Algumas palavras sobre rotina
A palavra rotina vem do francês, routine, que significa rota e, mais especificamente “trilha batida, curso costumeiro de ação” que, por sua vez, deriva do latim rupta. Este sentido da origem da palavra nos dá o sentido que utilizamos no dia a dia. Rotina (de trabalho ou qualquer outra) é uma rota que é feita diversas vezes, um comportamento repetido, talvez repetitivo.
No que diz respeito à psicologia, temos que nos lembrar que a psicologia possui diversas áreas de atuação. Razão pela qual é muito complicado falar em uma rotina de um profissional da psicologia como se a sua rotina fosse extensiva à todos os outros profissionais.
Afinal, qualquer um de nós consegue imaginar que um profissional da psicologia terá uma rotina de trabalho muito diferente se trabalhar, por exemplo, em um hospital ou em uma escola ou em uma instituição de saúde ou em um consultório ou em uma multinacional, certo?
O próprio local de trabalho, com suas demandas e exigências, criará uma determinada ordem que será diferente de outros locais, por razões óbvias.
Porém, no caso específico da psicologia, ainda há uma outra grande questão que impede que um dia seja igual ao dia seguinte. Isto se dá pelo fato de que o profissional da psicologia praticamente sempre vai trabalhar com pessoas. Portanto, um dia nunca será igual ao dia seguinte ou ao dia anterior, e, por isso, fica ainda mais complicado falar em uma rotina de um profissional da psicologia.
Como é a minha rotina?
Bem, para responder à esta pergunta, vou voltar um pouco no tempo. Como já contei algumas vezes aqui em outros textos, eu me formei em psicologia em 2006. O meu primeiro emprego como psicólogo foi em um asilo. O acordo de trabalho era de 4 horas diárias (meio período), de segunda a sexta. Devido à estrutura da instituição – era uma instituição enorme – o trabalho não era padronizado e a cada dia tínhamos que cumprir algumas atividades definidas no calendário, embora, como disse, ao lidar com os pacientes, cada dia fosse sempre um novo dia, um dia diferente.
Logo em seguida, fui trabalhar em uma Agência de Recursos Humanos. Também trabalhava de segunda à sexta-feira, porém, com um esquema de 8 ou mais horas por dia, dependendo da demanda. Fazia o trabalho de recrutamento e seleção de pessoal. Um dia típico variava dentro destas atividades: um parte do dia fazia o recrutamento, ligava para possíveis candidatos, e em outro fazia entrevistas individuais – de duração de 20 minutos a 1 hora de acordo com a vaga, se mais elaborada ou não – e, também, dinâmicas de grupo.
Com o exemplo deste trabalho, creio que consigo demonstrar que, por mais que as ações fossem bastante parecidas (uma entrevista, uma dinâmica, um recrutamento tem o seu “molde”), não há como dizer que uma entrevista é igual à outra. Assim, ao menos emocionalmente, na vivência, posso afirmar com toda certeza que não havia uma rotina de trabalho, pois não havia uma rota pré-definida, gasta ou desgastada.
O que também acontece no dia de hoje. Da saída do RH até o presente, o meu percurso profissional foi mudando de uma perspectiva centrada, ao menos nos objetivos iniciais, em cem por cento na clínica para uma ideia sobre a psicologia que não se restringe a uma única forma de atuação.
Hoje, com a nossa empresa, Instituto Felipe de Souza, sou professor de diversos cursos dentro da psicologia e sobre a psicanálise. Aos poucos, fui complementando a minha formação com o mestrado e agora com o doutorado e, ao mesmo tempo, continuo atendendo, atualmente como Coach.
Por isso, não tenho nada que se assemelhe a uma rotina. Se com uma única forma de atuação (no asilo ou na psicologia empresarial) eu já não tinha uma rotina, imagine agora trabalhando em mais de uma área!
Então, eu acabei criando alguns padrões de atuação, como escrever um texto por dia aqui no psicologiamsn ou gravar um número de vídeos para os nossos cursos por semana ou atender um número X de clientes (não mais do que uma certa quantidade, devido ao cansaço que atender em demasiado ocasiona). Mas tais padrões são totalmente passíveis de alterações. Utilizo o aplicativo Omnifocus 2, para Ipad, para organizar minha agenda e, seguindo as indicações de protelação de John Perry, eu tenho conseguido manejar as demandas e atende-las da melhor maneira que consigo.
Saiba mais – Procrastinação estruturada
Evidente que este quadro que estou pintando, digamos assim, é bastante particular. Uma pessoa que trabalhe em uma multinacional terá compromissos e horários determinados, como também terá quem trabalhar exclusivamente com o consultório, ou em um hospital, ou em uma escola.
O que quero dizer é que existem padrões, claro. Mas estes padrões são tão diversificados em nossa área que o padrão é não ter um padrão. Em um outro texto aqui no site eu mostro as vantagens e desvantagens de ser um profissional liberal. E ser um profissional liberal, na psicologia, até onde tenho visto, é o que é mais comum.
Profissional Liberal – Vantagens e Desvantagens
Rotina e constância
Para muita gente que busca estabilidade, talvez o que acabei de mencionar possa parecer um pouco assustador. Mas o curioso é que o fato de não haver uma rotina fixa também não exclui a ideia de constância.
Por exemplo, assim como eu, tenho diversos amigos que são professores e também trabalham atendendo. Uma segunda feira podem estar dando aula à noite, na terça podem passar o dia atendendo e voltar para a sala de aula na quarta. Enfim, um dia é diferente de outro, embora toda segunda ou terça tenha a sua regularidade.
Outro aspecto interessante que tem que ser demarcado é que uma ausência de rotina não implica em uma baixa produtividade ou ausência de persistência. Certamente é totalmente possível realizar muito em menos tempo, como foi descrito pela Lei de Pareto – Como fazer mais, fazendo menos – A Lei de Pareto
E, é claro, a persistência – continuar ainda que os resultados não estejam aparecendo como gostaríamos – é tão importante quanto saber o que se quer.
Leia – A virtude da persistência – Psicologia Positiva
Dúvidas, sugestões, comentários, por favor, escreva abaixo!
Ótimo texto!!
Obrigado por compartilhar sua história, Felipe!
Estou já no segundo semestre da faculdade (antes de começar li muita coisa aqui, o que me inspirou), aprendendo AEC e adorando.
Sucesso sempre. Continuo acompanhando pela newsletter.
Um abraço!
Gostaria de saber se nessas três carreiras, psicologo, psicanalista e psiquiatra, ser analisados por superiores, é obrigatório?… E, como saber se estamos avançando no tratamento, ou patinando, com determinado profissional? Por exemplo? no caso de uma esquizofrenia, ou psicose, provavelmente, não haverá avanço?
Olá Moacir,
É recomendável ter esse percurso de também fazer psicoterapia (ou análise), mas há uma obrigatoriedade maior na psicanálise. Psicólogos e psiquiatras podem ter a formação independentemente de terem ou não passados pelo processo.
Sim, sempre existe a possibilidade de avanço.