Neste texto, mostramos os resultados das pesquisas de Tim Pynchyl. Entender porquê procrastinamos nos ajuda a superar a procrastinação.
Olá amigos,
A procrastinação é a tendência para deixar para depois uma atividade que tem ou deveria ser feita hoje ou o quanto antes. Segundo as pesquisas de Tim Pynchyl – autor que vem estudando a procrastinação há mais de duas décadas – existem 7 armadilhas que aumentam ou mantém a procrastinação. São elas:
1) Pouca estruturação
2) Dificuldade
3) Frustração
4) Ambiguidade
5) Tédio
6) Falta de sentido
7) Falta de recompensa intrínseca
Se observarmos o que deixamos para depois, concordaremos com o ponto de vista de Tim Pynchyl. E, quanto as pessoas que não procrastinam (acredite, elas existem), o que elas fazem é superar rapidamente tais armadilhas.
1) Pouca estruturação
Por exemplo, no famoso livro de David Allen, Getting Things Done, em português “Produtividade Pessoal – A arte de fazer acontecer”, o autor salienta o que parece ser a armadilha mais forte dentre estas 7: a pouca estruturação.
Pouca estruturação quer dizer aqui ter em mente uma atividade mas não ter certeza do que é necessário para realizá-la, os próximos passos. É especialmente presente em projetos maiores, de médio ou longo prazo como escrever um TCC, uma dissertação de mestrado ou uma tese de doutorado, abrir uma empresa.
Nestes e noutros casos temos a certeza do que queremos atingir, do resultado final, mas não sabemos o como, a metodologia, o procedimento. Em outras palavras, não temos clareza sobre o que devemos fazer no primeiro passo, no segundo, no terceiro, no quarto…
Assim, como temos uma ideia mas esta ideia é vaga, faltando para ela estruturação, temos a tendência a procrastinar. Conhecemos diversas pessoas que tem dezenas de projetos, projetos fantásticos até, contudo, tropeçam na realização e vão deixando tudo para depois porque não conseguiram realizar um planejamento mais detalhado.
2) Dificuldade
Também com certeza todos nós conhecemos alguém que quer emagrecer mas que deixa o que precisa fazer para depois. Deixa a academia para a próxima segunda, o regime para depois do feriado, a consulta com o nutricionista para o ano que vem.
O que está por trás desses possíveis adiamentos provavelmente é a percepção interna de que é difícil. Tendemos a deixar para depois o que é difícil. Se você imagina que você vai até a academia para pegar peso, poderá pensar que é difícil, que é pesado (em alemão, a palavra schwer é tanto pesado como difícil).
3) Frustração
Se você pensa de começar o que tem que começar e aquilo tudo te traz o sentimento de frustração, a chance maior é que você acabe deixando a atividade de lado. Tanto a frustração como a dificuldade – e o tédio que falaremos a seguir – são exemplos de situações aversivas.
Por exemplo, se você faz uma redação e coloca nesta redação o seu tempo e o seu esforço apenas para, no final, ser debochado pelo professor em classe pela sua suposta incompetência (existem professores que adoram, infelizmente, humilhar os alunos), você se sentirá frustrado. E, portanto, vai procrastinar as redações futuras.
Se substituirmos redação por aquilo que estamos procrastinando, veremos se a frustração está ou não desempenhando um papel importante. Os resultados do seu esforço não foram recompensados? Você está se sentindo frustrado por ter que fazer o que tem que fazer?
4) Ambiguidade
Ambiguidade quer dizer, também, falta de clareza na preparação do que deve ser feito. Podemos entender a ambiguidade como conflito interno ou confusão. Por exemplo, se você possui dois prazos. Um prazo mínimo e um prazo máximo, você tem uma ambiguidade no prazo. Talvez em um momento você considere o prazo mais curto, em outro momento o prazo mais longo e, assim, nesse meio tempo você poderá procrastinar.
Outra forma de criar ambiguidade é pensar na atividade de forma ampla e incerta. No final de semana, vou fazer um trabalho. Neste próximo ano, vou escrever um romance.
Tudo bem, isto pode ser dito ou pensado como o começo do começo de um projeto. Mas temos que determinar de uma forma específica: um romance do que? Quantas páginas? Em que horários e quantas páginas por dia? E assim por diante.
5) Tédio
Tédio talvez não seja a melhor tradução para a palavra que Pynchyl utiliza em inglês, que é boring. Apensar de to bore signifique entendiar, no uso cotidiano quando se diz: “This is so boring”” o sentido é: “Isto é tão chato!”
De modo que uma das armadilhas que aumentam e mantém a procrastinação é achar que a atividade é chata, entediante, enfadonha, aborrecida.
Por exemplo, agora no final do meu doutorado, eu tenho que pegar todas as citações em português e criar notas de rodapé em todas elas na língua original, o alemão. Não é uma tarefa intelectual. Pelo contrário, é uma tarefa extremamente cansativa e entediante. Por este motivo, existe a possibilidade de procrastinar do mesmo modo como tantas outras atividades que achamos chatas.
6) Falta de sentido
Muito da motivação para realizar vem da certeza interna de que estamos caminhando em uma direção que faz sentido. Se você começa a academia e o sentido de você ir para a academia é emagrecer e você nota que em dois meses este resultado está sendo obtido, você então tem um sentido para continuar indo.
O contrário é igualmente verdade. Quando começamos a fazer alguma atividade que vemos que não tem sentido, provavelmente teremos também a tendência de deixar para depois ou para nunca.
7) Falta de recompensa intrínseca
No texto que publiquei aqui no site – Como o prazer e a dor determinam a sua vida – eu expliquei como o que nós consideramos prazeroso e o que nos consideramos desprazeroso vai lentamente mas consistentemente criando a nossa vida.
A ideia por trás desta sétima armadilha é justamente essa: atividades que avaliamos não ter recompensa interna alguma tendem também a ser colocadas num futuro incerto. O detalhe é que uma atividade que possui recompensa intrínseca para um pode não ter para outro.
Por exemplo, um grande amigo meu tinha que fazer um forte trabalho comportamental para alterar o seu comportamento de ler. Em outras palavras, ele não achava que ler possuía uma recompensa intrínseca. Claro, ele sabia dos resultados da leitura, mas a leitura, em si, não lhe parecia de forma nenhuma uma atividade recompensadora.
Conclusão
Neste texto, procuramos mostrar os resultados das pesquisas sobre procrastinação feitas ao longo de 20 anos por Tim Pynchyl. Entender porquê procrastinamos nos ajuda a superar a procrastinação.
Se estamos procrastinando porque uma ação é tida como sem sentido, podemos encontrar o sentido do que estamos fazendo no longo prazo. Por exemplo, agora que estou terminado este texto vou continuar as citações em alemão da minha tese. Mesmo sendo uma coisa que acho chato, encontro o sentido porque vejo que vou concluir o doutorado.
Dúvidas, sugestões, comentários, por favor, escrevam abaixo!
Felipe, eu sempre fui pontual com as minhas responsabilidades (nada para depois) mas entendi que isso me deixava tensa e cansada, tive que aprender o significado da palavra flexibilidade.
Acho que aprendi. Nesse momento eu posso afirmar que um pouco de procrastinação me fez bem! E o melhor, sem culpa rsrs.
Continuo afirmando que os seus textos são uma verdadeira terapia online. Abs,
Olá Felipe! No caso, as frustrações do passado podem causar a procrastinação do presente? Um abraço, obrigada por mais um excelente artigo.
Raquel,
Realmente, os extremos nunca são muito interessantes.
Você já leu o texto sobre o caminho do meio (a mediania) para Aristóteles?
https://psicologiamsn20220322.mystagingwebsite.com/2012/10/a-etica-para-aristoteles.html
Atenciosamente,
Felipe de Souza
Sim sim!
Porque as frustrações podem manter-se presentes (apesar de terem acontecido a longo tempo) e, presentes em nossa memória, podem vir a influenciar a nossa disposição de fazer.
Atenciosamente,
Felipe de Souza
o que fazer p vencer a procrastinação ja que em momentos atrapalha o nosso caminho…
Olá Dorilene,
Nós já escrevemos alguns textos sobre procrastinação. Clique aqui – https://psicologiamsn20220322.mystagingwebsite.com/?s=procrastina%C3%A7%C3%A3o
Felipe, bom dia!
Gratidão por tudo q vc compartilha!
Depois das leituras q fiz aqui sobre procrastinação, finalmente identifiquei o q me levou a ser uma pessoa q sofre desse mal – q passou a sofrer de 7 anos p cá. O q me fazia sofrer, agora não mais!
Meu afeto!
Olá Regina!
Fico muito feliz que tenha sido útil o texto! :)
Atenciosamente,
Felipe de Souza