Descubra quais são as seis emoções que todas as pessoas, do mundo todo, apresentam e conseguem reconhecer – de acordo com a teoria de Paul Ekman.
Olá amigos!
Uma das disciplinas mais fascinantes da faculdade de psicologia é antropologia. A grosso modo, podemos entender a antropologia como uma ciência humana que estuda o homem a partir da cultura em que ele está inserido.
Por exemplo, estes dias estava vendo um documentário que apresentava a história de duas gêmeas coreanas. Uma foi adotada por um casal norte-americano e a outra por um casal norueguês. Embora elas, para sempre, vão compartilhar uma estrutura genética extremamente parecida, a cultura na qual elas serão criadas (EUA versus Noruega) fará com que elas, depois de crescidas, tenham perspectivas e visões de mundo totalmente diferenciadas.
E não é apenas e tão somente uma questão da língua (do inglês ou do norueguês), embora, claro, a língua seja uma parte da cultura. As práticas culturais, o que é valorizado e o que não é valorizado, o que é certo e o que não é considerado certo, o modo de se expressar, enfim, muito do comportamento será moldado pelo meio cultural em que elas estarão vivendo – assim como nós também somos e fomos moldados.
Entretanto, apesar desta perspectiva que considera o ser humano apenas como uma soma de genética mais criação, como se o se fôssemos a famosa tabula rasa de Hume, existem teorias que extrapolam um pouco a dicotomia adquirido versus constitutivo.
Uma visão que representa uma terceira via, e muitas vezes é confundida com a genética, é a filogenética, ou seja, o que herdamos dos nossos antepassados mais longínquos e representa um depósito de informações que encontra-se presente em toda a humanidade.
Foi assim que um psicólogo americano, chamado Paul Ekman, realizou as suas pesquisas sobre as emoções básicas presentes em todo o mundo. Afinal, não era uma questão de criação ambiental, de influência da cultura, porque todas as pessoas nas mais diferentes culturas as possuem. Também não era um forma herdada como herdamos a cor dos nossos olhos, porque tais características são passadas pela ascendência parental mais próxima.
As 6 únicas emoções presentes em todo o mundo
Depois de estudar o modo como as pessoas escondem o que sentem, Paul Ekman começou a estudar mais a fundo as emoções que todos sentimos. Para isso, viajou o mundo todo, tirando fotos de pessoas que moravam no Japão, em Papa Guiné (um local muito estudado na antropologia) e até no Brasil.
A partir destas viagens, Ekman argumentou que existem 6 emoções básicas e que todos os seres humanos são capazes de expressar em suas faces, bem como todos nós somos capazes de entender o que significam.
São elas:
Tristeza
Medo
Surpresa
Repulsa
Raiva
Alegria:
A linguagem das emoções
O livro A linguagem das emoções, de Paul Ekman, assim, se tornou um clássico no estudo das emoções. Curiosamente, a psicologia nunca havia se debruçado diretamente sobre o estudo das emoções. Evidentemente, diversos trabalhos das linhas psicológicas como a freudiana e a behaviorista haviam elucidado algumas questões, mas sempre considerando as emoções não nelas mesmas, mas a partir de seus pressupostos teóricos.
Para Ekman, todas as 6 emoções estão presentes como reações que temos face aos estímulos externos ou internos. São reações automáticas. Podemos controlar um pouco o modo como as expressamos e neste sentido, a cultura na qual fomos criados intervém no quanto podemos ou devemos expressar, de que modo e se é adequado ou inadequado.
Entretanto, a reação instantânea é incontrolável e temos que ser treinados (embora não percebamos isso) em como esconder e disfarçar o que estamos sentindo.
O exemplo clássico é aquele momento em que ganhamos um presente de aniversário e, mesmo querendo demonstrar uma reação negativa como repulsa, raiva ou tristeza, temos que apresentar aquele sorriso amarelo que dificilmente parecerá uma expressão genuína de alegria ou surpresa e contentamento.
Voce listou 5 emoções…Alegria saiu repetido…
Olá Claudia,
Obrigado!
Saiu errado na hora da digitação.
Atenciosamente,
Felipe de Souza
Olá,
Que outras conclusões Paul Ekman chegou ao realizar essa pesquisa antropológica ao redor do globo?Considerei as conclusões obtidas( que li nesse artigo) um pouco superficiais (me perdoe o termo).Podemos perceber o lado freudiano nesse autor, ao dizer que reprimimos nossos sentimentos: sentimos uma coisa, mas nossa face expressa outra.Agimos dessa forma para não magoar as outras pessoas.Porém Freud expressa-a de outra maneira e a denomina de superego. Gostaria de conhecer algo mais “profundo”, algo mais consistente desse autor, que é um dos grandes psicólogos do século XX.
Aliás, adorei sua resposta ao meu comentário sobre a Psicologia Clínica e as questões de Freud.Obrigada!
Olá Ellen!
Obrigado pelo feedback!
Realmente, estou começando a estudar a teoria do Paul Ekman e ficarei devendo um aprofundamento, ok?
Em breve escreverei mais sobre a teoria dele.
Atenciosamente,
Felipe de Souza
Professor Felipe, obrigado por postar um tema de tanta importância, pelo menos pra mim..
Isso é muito interessante, existe até um programa, eu tinha ele, esqueci o nome, que treina a observação das microexpressões inconscientes que a face revela. Tem até uma série, Lie To Me, que se baseia nas pesquisas de Paul Ekman, claro que nem tudo que passa na série é verdade, e quase tudo é exagerado, mas acredito que tenha fundamento.
É muito interessante mesmo, depois, observando as pessoas, vê-se claramente vestígios de expressões que as pessoas nem se dão conta de que tão fazendo. É como por exemplo uma mulher que traiu o marido, e o marido desconfiar e perguntar diretamente, “você me traiu?”, a primeira reação da face é demonstrar o medo ou surpresa. Não há como ter uma reação espontânea, imediata, que esconda o fato de ter traído, a não ser, imagino, que a pessoa seja psicopata pois, nesse caso, a pessoa não terá remorso de nada e também não saberá o que é a sensação de medo.
Pelo pouco que pesquisei a respeito de Paul Ekman e sua teoria, diz basicamente que temos emoções universais e isso é estudado por ele de uma perspectiva evolucionista.
Tudo se baseia na interpretação dos dados não verbais, mais especificamente das microexpressões faciais, que vão além de um sorriso escancarado ou qualquer outra emoção bruta e óbvia. Por exemplo no caso de um sorriso, a parte do cérebro que controla os músculos de um sorriso espontâneo, verdadeiro, não é a mesma que controla um sorriso falso, por esse motivo, o sorriso falso é só uma imitação muscular de um sorriso verdadeiro, que atua nos músculos de modo inconsciente. O sorriso verdadeiro, mexe vários outros músculos que o sorriso falso, e não há como ter controle de todos os músculos conscientemente para que a imitação seja perfeita. No caso do sorriso, um verdadeiro geralmente franzi a lateral dos olhos, um falso não franzi, basta tapar o sorriso numa foto e olhar somente os olhos, fica evidente qual é o verdadeiro e qual é o falso.
É nesse sentido, Ellen Schaffland, pelo que pesquisei, que Paul Ekman analisou as microexpressões, de forma a ser uma ferramenta para o profissional de psicologia, para analisar em conjunto com a comunicação verbal e constatar se o que se está sendo dito é coerente com o que se está demonstrando não verbalmente, pois é mais fácil, por ser muito menos complexo, controlar as palavras do que o corpo, imagina detalhes tão pequenos quanto os da face…
Olá Myke!
Obrigado por complementar o texto!
Continuaremos estudando o Ekman logo mais.
Atenciosamente,
Felipe de Souza
Muito interessante!